terça-feira, 20 de novembro de 2012
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
VIOLÊNCIA A GESTANTE
Conversando com uma amiga quanto a violência a gestante, lembrei-me que em meu período acadêmico realizei trabalho desse tema, na qual estou disponibilizando para auxilio aos estudos quanto ao tema... Boa leitura a todos!
3. Documentar a situação das mulheres.
Alguns serviços de atendimento de saúde documentam adequadamente os casos de abuso contra mulheres. Em Joanesburgo, na África do Sul, uma avaliação constatou que, em 78% dos casos de abuso, os serviços não tinham registrado a identidade do agressor. Os registros clínicos incluíam descrições realistas porém generalizadas, tais como “recebeu golpes de machado“ ou “foi apunhalada“.
Uma documentação cuidadosa dos sintomas ou lesões sofridos pelas mulheres, bem como de seu histórico de abuso, é útil para o acompanhamento médico futuro. A documentação também é importante caso a mulher decida posteriormente apresentar queixas contra o agressor ou conseguir a guarda dos filhos. A documentação deve ser a mais completa possível, dela constando claramente a identidade do agressor e seu relacionamento com a vítima.
4. Preparar um plano de proteção.
Apesar das mulheres não poderem evitar a reincidência dos atos de violência e não estarem dispostas a dar queixas à polícia, existem formas para se protegerem e aos seus filhos. Elas podem manter uma sacola pronta com documentos importantes, chaves e uma muda de roupa ou podem criar um sistema de código para indicar aos filhos o momento em que necessitam pedir ajuda a algum vizinho. Os serviços de saúde devem discutir um plano típico de proteção com a mulher e decidir com ela que ações poderiam ser adotadas para ajudá-la a resolver sua situação. Um boa técnica é afixar descrições de planos típicos de proteção nas paredes dos banheiros das clínicas e salas de exame médico, onde as mulheres podem lê-los sem sentir embaraço.
5. Informar às mulheres os seus direitos.
Quando uma mulher toma a decisão de revelar sua situação a outros, é essencial que os profissionais de saúde enfatizem que a violência não é sua culpa e que ninguém merece ser agredida ou estuprada. Os códigos penais da maior parte dos países consideram o estupro e a agressão física como crimes, mesmo que não existam leis específicas contra a violência doméstica. O pessoal de saúde deve procurar se informar sobre as proteções legais que existem para as vítimas do abuso e onde as mulheres e crianças podem procurar ajuda na defesa de seus direitos.
6. Encaminhar as mulheres às instalações e serviços comunitários.
Os profissionais de saúde podem ajudar as vítimas do abuso identificando-as o mais rápido possível e encaminhando-as aos serviços comunitários que estejam disponíveis. As necessidades das vítimas geralmente são superiores ao atendimento que o sistema normal de saúde pode proporcionar. Por isso é essencial que os profissionais de saúde saibam com antecedência que outros recursos estão disponíveis para ajudar as vítimas do abuso. É particularmente útil para os profissionais de saúde conhecerem pessoalmente as pessoas e instalações que prestam serviços às vítimas da violência, pois estarão mais propensos a encaminhar uma cliente a alguém que conhecem.

INTRODUÇÃO
Por Fernanda S.
Presente na maioria das sociedades, a
violência praticada pelo parceiro íntimo constitui a forma mais endêmica de
violência contra a mulher, no entanto não é reconhecida como forma de
violência, sendo muitas vezes aceita como fenômeno cultural, fazendo parte dos
costumes e normas da sociedade que entendem e aceitam a violência exercida
contra mulheres como forma de ação disciplinar exercida sobre esposas e filhas.
"Qualquer ato de violência baseado na diferença de gênero, que resulte em sofrimentos e danos físicos, sexuais e psicológicos da mulher; inclusive ameças de tais atos, coerção e privação da liberdade seja na vida pública ou privada". - Conselho Social e Econômico, Nações Unidas (1992).
Segundo estimativas do Banco Mundial, uma mulher tem maior probabilidade de ser
espancada, violada ou assassinada pelo seu parceiro atual ou anterior que por
um estranho. Embora não sejam dados conclusivos, estudos apontam a
gravidez como fator de risco para a violência doméstica, podendo esta ter
início depois da gestação ou alterar o padrão quanto à freqüência e gravidade
neste período. Estudos de revisão sobre prevalência de VD na gravidez indicam
uma estimativa de 0,9 a
20,1%, referindo a maioria dos estudos taxas entre 3,9 e 8,3% entre mulheres
grávidas investigadas (MENEZES, 2003).
Em um estudo realizado para
pesquisar a percepção da enfermagem a cerca da violência intrafamiliar em
gestantes, as conclusões expressaram a
necessidade de amplitude das reflexões relações da enfermeira obstétrica
saúde da população feminina, o uso de instrumentos para as mesmas como
identificação e abordagem direta a violência contra a gestante no âmbito
intrafamiliar, estudos científicos que explorem reflexões sobre as práticas da
enfermeira obstétrica frente a temática violência a mulher e sua repercussão
nas fases do seu ciclo vital, fortalecimento da temática nos cursos de
graduação em saúde, inclusão do tema nas escolas, a realização de análises e
acompanhamento dos casos atendidos com discussões multidisciplinares,
realização de grupos de educadores em saúde para conscientização para a equipe
de saúde, comunidade no aspecto compreensão
sobre direitos reprodutivos, violência à mulher na sua perspectiva de gênero na
família e os agravos à sociedade como um todo (MEDINA, 2008).
Lei Maria da Penha
Agredida pelo marido durante seis anos, Maria da
Penha foi vítima de duas tentativas de homicídio. Em uma delas, ficou
paraplégica. O agressor só foi punido após 19 anos e ficou apenas dois anos em
regime fechado.
A falta de rigor na lei brasileira na época dos
crimes levou o país a ser condenado pela Comissão Interamericana de Direitos
Humanos da OEA - órgão internacional responsável por julgar ações decorrentes
de violação de acordos internacionais.
Aprovada por unanimidade em 22 de setembro de 2006, a Lei 11340/06 – mais
conhecida como Lei Maria da Penha – foi criada com a finalidade de coibir a
violência doméstica contra a mulher. Contém ainda propostas de medidas de
prevenção, assistência e proteção às mulheres vítimas de violência.
A Lei propõe a criação de varas especializadas em
violência doméstica e ainda procedimentos específicos para lidar com o tema,
dentro da Lei nº 9.099. Além disso, prevê o encaminhamento de mulheres em situação
de violência e seus dependentes a programas e serviços de proteção, garantindo
os diretos à guarda dos filhos e a seus bens. Trata também do processo da volta
para o lar, ou seja, a recondução da mulher a sua residência depois do
afastamento do agressor.
De acordo com dados da Secretaria Especial de
Políticas para as Mulheres (SPM), foram instaurados 32.630 inquéritos
policiais, 10.450 processos criminais, 864 prisões em flagrante e 77
preventivas durante os primeiros oito meses de vigência da nova lei (out/2006 a
maio/2007).
Discussão
em jornal da Unicamp, tendo como tema “Nem gestantes são poupadas da violência
doméstica”
Por Manuel Alves Filho da tese de doutorado em Saúde Coletiva
1.379 mulheres gestantes que realizaram o acompanhamento pré-natal nas unidades
públicas de saúde, no período de 2004
a 2006 em Campinas divulgou no estudo que: a cada 6 mulheres, uma é vitima de qualquer tipo de violência na
Região Sudoeste de Campinas.
Das 1.379 mulheres grávidas que realizaram o pré - natal
nas unidades públicas de saúde de Campinas: 19,1% disseram ser vitimas de
violência psicológica mediada por ofensas, intimidações e atos que causam
humilhação, 6,5% disseram ter sido vítimas de violência física ou sexual por
parceiros usuários drogas e álcool mais de uma vez na semana.
De acordo com a autora a lei Maria da Penha traz
benefícios, mas, que ainda há carência de mecanismos adequados para assistir a
gestante vitima de violência (AUDI, 2007).
Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra
as Mulheres
O objetivo do Pacto é prevenir e combater todo tipo
de violência contra as mulheres e garantir seus direitos. Segundo a Secretaria
Especial de Políticas para a Mulher, até 2011 serão aplicados R$ 1 bilhão em
quatro áreas estratégicas: consolidação da Política Nacional de Enfrentamento à
Violência contra as Mulheres e implementação da Lei Maria da Penha; Promoção
dos Direitos Sexuais e Reprodutivos das Mulheres; Combate à Exploração Sexual
de Meninas e Adolescentes e ao Tráfico de Mulheres; Promoção dos Direitos
Humanos das Mulheres em Situação de Prisão.
Entre as ações previstas pelo Pacto, estão a
construção, reforma e reaparelhamento de mais de 700 serviços especializados de
atendimento à mulher (delegacias, defensorias, centros de referência, etc.), a
capacitação policiais e profissionais de educação e a realização de campanhas
educativas e culturais de prevenção à violência de gênero.
O Pacto também é responsável pela instalação do
Observatório de Monitoramento da Implementação e Aplicação da Lei Maria da
Penha, melhoria das condições de encarceramento feminino, projetos inovadores
de enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes e
implantação de uma metodologia de atendimento às mulheres vítimas de tráfico,
entre outras medidas.
Atendendo às mulheres
O governo federal criou uma Central de Atendimento à
Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito de orientação sobre o enfrentamento à
violência à mulher, questões de gênero e informações sobre as políticas do
governo federal voltadas às mulheres. O serviço funciona 24 horas por dia,
todos os dias da semana (inclusive feriados) e pode ser acessado de qualquer
parte do Brasil.
No mês de novembro de 2007, por exemplo, o Ligue 180
registrou 24.849 atendimentos, dentre os quais 1.632 foram relatos de
violência.
Secretaria
Municipal de Integração Social
Mulher
Vítima de Violência
Quando a mulher vitimizada toma a decisão
de se encaminhar à Delegacia de Defesa da Mulher e comunicar uma agressão
sofrida, precisa de um aparato que a proteja e apóie. Jundiaí oferece, desde
fevereiro de 2006 um abrigo (Casa Sol) para protegê-la (e a seus filhos), e um
corpo técnico para apoiá-la sócio-emocionalmente na decisão que tomar. É comum
a mulher, após a elaboração do Termo Circunstanciado, retornar à Delegacia ou,
quando chamada no Fórum local, “desistir” ou “abandonar” o processo por medo,
por não ter rendimento próprio, por pressão emocional de familiares, dentre
outros motivos. Com este equipamento, abrigada com segurança e com endereço
sigiloso (protegida) e apoio de técnicos, ela encontrará caminhos para uma nova
“existência” e para buscar formas positivas de vida.
Com capacidade de atendimento para 10
mulheres vitimizadas, o atendimento tem início após decisão e encaminhamento da
Delegacia de Defesa da Mulher de Jundiaí, que definirá a necessidade do
abrigamento. O tempo de permanência na Casa depende dos encaminhamentos
realizados, tanto na esfera judicial como do atendimento sócio-emocional.
• Serviços de saúde materno-infantil.
Como a violência é pelo menos tão comum e, às
vezes, mais grave do que uma variedade de outras condições para as quais os
profissionais de saúde fazem triagens rotineiras durante a gravidez, a maioria
dos especialistas considera que todas as mulheres atendidas no pré-natal
deveriam passar por triagem para detectar abuso doméstico. O ambiente do
atendimento pré-natal é particularmente adequado à discussão sobre o abuso
porque a confiança das mulheres vai aumentando a cada nova visita. A triagem
pós-parto também é importante, já que a violência pode aumentar em freqüência
ou gravidade depois do parto. As consultas pediátricas e de puericultura
oferecem também uma boa oportunidade para identificar e oferecer apoio às mães
e crianças que experimentam a violência no lar.
Realmente, o
ideal seria que os profissionais de saúde coordenassem suas ações com os
serviços comunitários, entre eles os grupos locais de mulheres, mas existem
muitas ações que os profissionais de saúde podem executar imediatamente durante
a visita à clínica:
1. Avaliar o perigo
imediato.
Procure saber se a mulher acha que ela ou seus
filhos correm perigo imediato. Se for este o caso, ajude-a a pensar em vários
cursos possíveis de ação. Ela teria um amigo ou parente que poderia ajudá-la?
Se houver um abrigo de mulheres ou um centro de atendimento de emergência na
área, ofereça-se para entrar em contato com eles. Alguns hospitais e clínicas
têm diretrizes explícitas para permitir que as mulheres que sofrem abuso
doméstico passem a noite no hospital se não se sentirem seguras em voltar para
casa, mas o abandono temporário de um parceiro violento não acaba
necessariamente com a violência. O momento mais perigoso de uma mulher junto a
um parceiro violento é geralmente logo depois que ela decidir sair de casa ou
terminar o relacionamento .
2. Oferecer o atendimento adequado.
Para as mulheres que sofreram agressão sexual, o
atendimento mais adequado poderá incluir a contracepção de emergência e o
tratamento preventivo da gonorréia, sífilis ou outras DST prevalentes no local.
Exceto se houver necessidade inquestionável, os clínicos devem evitar receitar
tranqüilizantes e drogas que alteram o estado emocional das mulheres que
convivem com parceiros abusivos, pois este tipo de droga pode prejudicar sua
capacidade para prever e reagir aos ataques dos parceiros.
Alguns serviços de atendimento de saúde documentam adequadamente os casos de abuso contra mulheres. Em Joanesburgo, na África do Sul, uma avaliação constatou que, em 78% dos casos de abuso, os serviços não tinham registrado a identidade do agressor. Os registros clínicos incluíam descrições realistas porém generalizadas, tais como “recebeu golpes de machado“ ou “foi apunhalada“.
Uma documentação cuidadosa dos sintomas ou lesões sofridos pelas mulheres, bem como de seu histórico de abuso, é útil para o acompanhamento médico futuro. A documentação também é importante caso a mulher decida posteriormente apresentar queixas contra o agressor ou conseguir a guarda dos filhos. A documentação deve ser a mais completa possível, dela constando claramente a identidade do agressor e seu relacionamento com a vítima.
4. Preparar um plano de proteção.
Apesar das mulheres não poderem evitar a reincidência dos atos de violência e não estarem dispostas a dar queixas à polícia, existem formas para se protegerem e aos seus filhos. Elas podem manter uma sacola pronta com documentos importantes, chaves e uma muda de roupa ou podem criar um sistema de código para indicar aos filhos o momento em que necessitam pedir ajuda a algum vizinho. Os serviços de saúde devem discutir um plano típico de proteção com a mulher e decidir com ela que ações poderiam ser adotadas para ajudá-la a resolver sua situação. Um boa técnica é afixar descrições de planos típicos de proteção nas paredes dos banheiros das clínicas e salas de exame médico, onde as mulheres podem lê-los sem sentir embaraço.
5. Informar às mulheres os seus direitos.
Quando uma mulher toma a decisão de revelar sua situação a outros, é essencial que os profissionais de saúde enfatizem que a violência não é sua culpa e que ninguém merece ser agredida ou estuprada. Os códigos penais da maior parte dos países consideram o estupro e a agressão física como crimes, mesmo que não existam leis específicas contra a violência doméstica. O pessoal de saúde deve procurar se informar sobre as proteções legais que existem para as vítimas do abuso e onde as mulheres e crianças podem procurar ajuda na defesa de seus direitos.
6. Encaminhar as mulheres às instalações e serviços comunitários.
Os profissionais de saúde podem ajudar as vítimas do abuso identificando-as o mais rápido possível e encaminhando-as aos serviços comunitários que estejam disponíveis. As necessidades das vítimas geralmente são superiores ao atendimento que o sistema normal de saúde pode proporcionar. Por isso é essencial que os profissionais de saúde saibam com antecedência que outros recursos estão disponíveis para ajudar as vítimas do abuso. É particularmente útil para os profissionais de saúde conhecerem pessoalmente as pessoas e instalações que prestam serviços às vítimas da violência, pois estarão mais propensos a encaminhar uma cliente a alguém que conhecem.
INTERVENÇÃO DE ENFERMAGEM
As unidades de saúde e os hospitais de referência
devem estabelecer fluxos internos de atendimento, definindo profissional
responsável por cada etapa da atenção; Isso deve incluir entrevista, registro
da história, exame clínico e ginecológico, exames complementares e acompanhamento
psicológico. Também deve estar incluso no processo de atenção à mulher
condições especiais, como intervenções de emergência ou internação hospitalar.
As mulheres em situação de violência sexual devem ser
informadas pelo enfermeiro responsável pela unidade, sempre que possível sobre
tudo o que será realizado em cada etapa do atendimento e a importância de cada
medida. Sua autonomia deve ser respeitada, acatando-se a eventual recusa de
algum procedimento e o enfermeiro deve encaminhá-la para um atendimento
psicológico onde medidas de fortalecimento serão dadas e essa mulher,
ajudando-a a enfrentar os conflitos e os problemas inerentes à situação vivida.
FASES A SEREM SEGUIDAS PELO ENFERMEIRO
REGISTRO DE ENCAMINHAMENTO
Registrar em prontuário:
1. Local, dia e hora aproximada da violência sexual;
2. Tipo de violência sexual sofrida;
3. Forma de constrangimento utilizada;
4. Tipificação e número de agressores;
5. Órgão que realizou o encaminhamento.
PROVIDÊNCIAS INSTITUÍDAS
Verificar eventuais medidas prévias:
1. Atendimento de emergência em outro serviço de saúde e
medidas de proteção realizadas;
2. Realização do Boletim de Ocorrência Policial;
3. Realização do exame pericial de Corpo de Delito e
Conjunção Carnal;
4. Comunicação ao Conselho Tutelar ou à Vara da Infância
e da Juventude (para crianças e adolescentes);
5. Realização de exames laboratoriais;
6. Outras medidas legais cabíveis.
COMO O ENFERMEIRO DEVE AVALIAR AS SITUAÇÕES DE RISCO
A avaliação dos riscos deverá ser feita junto com a
usuária. É preciso identificar as situações de maior vulnerabilidade, a fim de
elaborar estratégias preventivas de atuação. Nos casos de famílias em situação
de violência, o enfermeiro deve-se observar a história da pessoa agredida, o
histórico de violência na família e a descrição dos atos de violência. O
enfermeiro também deve avaliar os riscos de repetição ou agravamento, visando à
prevenção de novos episódios. Quando se tratar de criança, adolescente ou
pessoa em condição de dependência em relação ao agressor é importante avaliar a
necessidade de estabelecer mecanismos de intervenção que atenuem a dependência
e a vulnerabilidade.
No caso específico de violência sexual, é necessário
alertar a pessoa quanto a medidas de proteção individual, formas de defesa e,
sobretudo, orientar condutas que evitem maior dano. Se a violência contra a
mulher é perpetrada por parceiro íntimo, é preciso avaliar a necessidade de
acompanhamento e proteção, no sentido de garantir socorro e abrigo a esta e aos
filhos, quando necessário (por exemplo, casa abrigo), principalmente a partir
do momento em que ela decida denunciar o companheiro ou romper a relação.
REFERÊNCIAS
Conselho Social e
Econômico, Nações Unidas, 1992. Relatório do Trabalho de Grupo na Violência
contra a Mulher - Viena - Nações Unidas. >. ACESSADO EM 02/10/2009
MENEZES, T. C.; AMORIM, et al. Violência
física doméstica e gestação: resultados de um inquérito no puerpério. Instituto
Materno-Infantil de Pernambuco (IMIP) - Mestrado em Saúde Materno-Infantil
– Recife/PE. Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.25 no.5 Rio de
Janeiro June 2003 http://www.scielo.br/scielo. Acessado em
10/10/2009
BANDURA, A. Self-efficacy mechanism in human
agency.Amer. Psychol., 37: 122-133.
MINISTÉRIO DA SAÚDE, Manual
Secretaria de Atenção à Saúde,Departamento de Ações Programáticas Estratégicas:
Direitos sexuais, direitos reprodutivos e métodos anticoncepcionais. Brasília : Ministério da Saúde, 2006.
MEDINA, A.B.C., PENA, L.H.G. A percepção de enfermeiras
obstétricas acerca da violência intrafamiliar em mulheres grávidas. Revista & Contexto Enfermagem, Santa
Catarina, vol. 17, n. 003, pp. 466-473, jul./set. de 2008. Disponível em: <
http://redalyc.uaemex.mx/redalyc/pdf/714/71417309.pdf>. Acesso em 11 de
Outubro de 2009.
AUDI, C. A. F. Nem gestantes
são poupadas da violência doméstica Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Jornal
da Unicamp, 09/10/07. http://www.violenciamulher.org.br/reportagens-artigos-e-outros-textos.
Acessado em 10/10/2009
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Conjutive alérgica da criança
Depto. Científico de Alergia e Imunologia da SBP
O que é conjuntivite alérgica?
A alergia é a doença crônica mais comum na infância e na adolescência. Estima-se que cerca de 20% das crianças brasileiras entre 6 e 7 anos apresentam sintomas de conjuntivite alérgica (alergia nos olhos). Os principais sintomas são coceira nos olhos, inchaço das pálpebras e da conjuntiva ocular, sensação de queimação, lacrimejamento, dificuldade e fotofobia (desconforto em manter os olhos abertos em ambientes muito claros). Estes sintomas podem ser persistentes ou intermitentes.
A conjuntivite alérgica provoca vários transtornos no dia a dia da criança e do adolescente. A coceira dos olhos e o lacrimejamento pioram a visão e podem provocar ausências escolares. Há um comprometimento na qualidade de vida, não só da criança, mas também da sua família.
A doença pode ocorrer de forma isolada, mas na maioria dos casos se associa às outras manifestações alérgicas, principalmente quadros de rinite alérgica, que apresenta sintomas como coceira (no nariz, garganta, ouvido e/ou olhos), espirros seguidos ou em salvas, coriza aquosa e nariz entupido.
Porque meu filho tem conjuntivite alérgica?
De maneira semelhante às demais doenças alérgicas, a alergia ocular se desenvolve quando o sistema imunológico está sensibilizado e reage exageradamente a determinados estímulos, chamados alérgenos. Os alérgenos provocadores de conjuntivite alérgica em nosso meio são principalmente os ácaros da poeira domiciliar, fungos, baratas e antígenos do cão e gato. Os alérgenos dos ácaros podem provocar a conjuntivite alérgica durante todo o ano. As conjuntivites alérgicas provocadas por pólens e fungos do ar são raras no Brasil, ocorrendo em alguns locais na região Sul do país. As pessoas sensíveis aos pólens desenvolvem sintomas durante o período de floração.
A fumaça do cigarro, cheiros fortes e a combustão do óleo diesel e da madeira podem provocar irritação nos olhos. Os irritantes tendem a piorar os sintomas da alergia ocular.
Qual o melhor tratamento para conjuntivite alérgica?
A avaliação e o tratamento da conjuntivite alérgica em crianças e adolescentes devem ser realizados pelo alergista pediatra em conjunto com o oftalmologista. Existem quadros de conjuntivite alérgica que se associam com problemas na córnea, provocando situações mais graves.
O tratamento pode ser iniciado pela medicação sintomática para aliviar as crises. É essencial, porém, evitar a doença controlando o ambiente, educando a família sobre a doença e adotando vacinas antialérgicas específicas (imunoterapia).
Para evitar os ácaros da poeira domiciliar é importante limpar a casa com pano úmido, colocar capas impermeáveis em colchões e travesseiros e manter o quarto o mais vazio possível, retirando brinquedos e bichos de pelúcia.
Se seu filho é alérgico a algum animal de estimação, mantenha o bichinho fora de sua casa. Algumas pessoas não querem se desfazer do animal de estimação, porém a conduta correta é mantê-lo fora do quarto, para evitar expor a criança aos alérgenos do animal. Cuidados com a higiene também são importantes. Lave as mãos imediatamente depois de pegar o animal. Remova e lave as roupas após visitar amigos que tenham animais de estimação aos quais a criança é alérgica.
Os testes alérgicos ajudam na identificação dos fatores que desencadeiam a alergia e orientam no tratamento. Existem colírios e medicamentos orais para tratar os sintomas da alergia ocular. O uso de colírios resfriados (mantidos na geladeira) pode reduzir a sensação de coceira nos olhos.
É importante reforçar, no entanto, que quaisquer destas medicações devem ser prescritas pelo médico (alergista pediatra ou oftalmologista). Nunca use medicamento por conta própria ou sem ordem médica.
Andador: perigoso e desnecessário
Departamento de Segurança da Criança e do Adolescente
Desde 2007, é proibido vender, importar, e mesmo fazer propaganda de andador para bebês no Canadá. Apesar de ainda muito popular no Brasil, para bebês de 6 a 15 meses, o andador não é recomendado pelos pediatras. Os pais alegam alguns motivos para colocar o bebê no andador. Dizem que ele dá mais segurança às crianças (evitando quedas), mais independência (pela maior mobilidade), promove o desenvolvimento (auxiliando no treinamento da marcha), o exercício físico (também pela maior mobilidade), deixam os bebês extremamente faceiros e, sobretudo, mais fáceis de cuidar.
A literatura científica tem colocado por terra todas estas teses. A ideia de que o andador é seguro é a mais errada delas. A pesquisadora sueca, Ingrid Emanuelson publicou uma análise dos casos de traumatismo craniano moderado em crianças menores de quatro anos, que considerou o andador o produto infantil mais perigoso, seguido por equipamentos de playground. A cada ano são realizados cerca de dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade, provocados por acidentes com o andador. Isto corresponde a pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que utilizam o andador. Em um terço dos casos, as lesões são graves, geralmente fraturas ou traumas cranianos, necessitando hospitalização. Algumas crianças sofrem queimaduras, intoxicações e afogamentos relacionados diretamente com o uso do andador, mas a grande maioria sofre quedas; dos casos mais graves, cerca de 80% são de quedas de escadas.
É verdade que o andador confere independência à criança. Contudo, um dos maiores fatores de risco para traumas em crianças é dar independência demais numa fase em que ela ainda não tem a mínima noção de perigo. Colocar um bebê de menos de um ano num verdadeiro veículo que pode atingir a velocidade de até 1 m/s equivale a entregar a chave do carro a um menino de dez anos. Crianças até a idade escolar exigem total proteção.
O andador atrasa o desenvolvimento psicomotor da criança, ainda que não muito. Bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento.
O andador atrasa o desenvolvimento psicomotor da criança, ainda que não muito. Bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento.
O exercício físico é muito prejudicado pelo uso do andador, pois, embora ele confira mais mobilidade e velocidade, a criança precisa despender menos energia com ele do que tentando alcançar o que lhe interessa com seus próprios braços e pernas.
Por fim, trata-se de uma grande falácia dizer que a satisfação e o sorriso de um bebê valem qualquer risco. Um bebê de um ano fica radiante com muito menos do que isso: basta sentar na sua frente, fazer caretas para ele e lhe contar histórias ou jogar uma bola.
Dizer que o andador torna a criança mais fácil de cuidar revela preguiça, desinteresse ou falta de disponibilidade do cuidador. Caso o adulto realmente não tenha condições de ficar o tempo todo ao lado do bebê, é mais seguro colocá-lo num cercado com brinquedos do que num andador. Cercá-lo de um ambiente protetor, com dispositivos de segurança, como grades ou redes nas janelas; estas são medidas de proteção passiva, muito mais efetiva. O andador definitivamente não se enquadra neste esquema.
Existe um movimento muito intenso na Europa e nos Estados Unidos visando a implantar uma lei semelhante à canadense, uma vez que todas as estratégias educativas têm falhado na prevenção dos traumatismos por andadores.
Enquanto este progresso não chega ao Brasil, continuamos contando com o bom senso dos pais, no sentido de não expor os bebês a um produto perigoso e absolutamente desnecessário.
Extraído do síte: http://www.conversandocomopediatra.com.br/website/paginas/materias_gerais/materias_gerais.php?id=128&content=detalhe
Para os interessados em informações mais detalhadas sobre o assunto:
• American Academy of Pediatrics. Committee on Injury and Poison Prevention. Injuries associated with infant walkers. Pediatrics. 2001;108:790-2. http://pediatrics.aappublications.org/cgi/content/full/108/3/790.
• Taylor B. Babywalkers. BMJ. 2002;325:612. http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/325/7365/612.
• Health Canada. Baby Walkers (Banned) & Stationary Activity Centres. http://www.hc-sc.gc.ca/cps-spc/child-enfant/equip/walk-marche-eng.php
• Taylor B. Babywalkers. BMJ. 2002;325:612. http://bmj.bmjjournals.com/cgi/content/full/325/7365/612.
• Health Canada. Baby Walkers (Banned) & Stationary Activity Centres. http://www.hc-sc.gc.ca/cps-spc/child-enfant/equip/walk-marche-eng.php
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Células-tronco embrionárias serão testadas em tratamento de retina

05/11/2012
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Uma terapia baseada em células-tronco embrionárias para degeneração macular relacionada à idade (DMRI) – principal causa de cegueira entre idosos – começará a ser testada em humanos no início de 2013.
O anúncio foi feito pelo cientista britânico Pete Coffey, da University College London, durante o 7º Congresso Brasileiro de Células-Tronco e Terapia Celular, realizado em São Paulo em outubro comapoio da FAPESP.
A pesquisa britânica está sendo conduzida no âmbito do London Project to Cure Blindness, uma parceria entre Coffey e o cirurgião Lyndon da Cruz, do Hospital Moorfields Eye, de Londres.
A técnica, que consiste em aplicar na região afetada da retina uma espécie de curativo contendo células-tronco embrionárias já diferenciadas em células da retina, foi testada com sucesso em ratos, camundongos e porcos.
“Agora, vamos testá-la em dez pacientes. Um grupo pequeno e bem específico no início, pois o objetivo é avaliar a segurança do tratamento”, disse Coffey à Agência FAPESP.
Segundo o pesquisador, a DMRI acomete a região central da retina, conhecida como mácula, onde há grande concentração de fotorreceptores responsáveis pela visão de cores e detalhes. Abaixo dessa camada de fotorreceptores, existe o epitélio pigmentado e, ainda mais abaixo, a membrana de Bruch.
Com o envelhecimento, nos indivíduos predispostos restos celulares começam a formar cristais no fundo do olho conhecidos como drusas, que destroem os fotorreceptores e provocam proliferação anormal de vasos sanguíneos sob a retina. Isso afeta a integridade da mácula e compromete a visão central e a capacidade de distinguir cores.
A doença é comum em pacientes com mais de 55 anos e chega a atingir mais de 25% das pessoas acima de 75 anos. Cerca de 90% dos casos correspondem à forma seca da doença, de evolução lenta e ainda sem tratamento.
Os demais pacientes apresentam a forma úmida, bem mais agressiva e caracterizada por hemorragias que comprometem o tecido da retina. O tratamento atual consiste em aplicação de lasers ou injeção de drogas que inibem a formação de novos vasos sanguíneos na região.
“Nos casos mais graves, a camada intermediária da retina (epitélio pigmentado) se rompe levando à perda de visão nesse ponto. Esses casos são os que pretendemos tratar”, disse Coffey.
Inicialmente, a equipe do projeto inglês desenvolveu uma técnica cirúrgica que consistia em retirar células saudáveis do epitélio pigmentado do próprio paciente e transplantá-las para a região afetada. “Tivemos bons resultados, mas a cirurgia é demorada, pode durar até três horas, o que aumenta muito os riscos”, disse Coffey.
Para diminuir o tempo e o risco da operação – e poder beneficiar pacientes com estágios menos avançados da doença –, os cientistas tiveram a ideia de aplicar na camada intermediária da retina uma membrana previamente preparada em laboratório contendo células de epitélio pigmentado obtidas a partir de células-tronco embrionárias humanas.
“Nos testes em animais não registramos formação de tumores, pois o processo de diferenciação celular ocorre em laboratório. Se a terapia também se mostrar segura em humanos e se conseguirmos manter uma boa visão em três ou quatro dos dez primeiros pacientes, os testes clínicos serão considerados bem-sucedidos”, disse Coffey.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Estudo mostra como a privação do sono afeta a imunidade
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – A importância do sono para o bom funcionamento do sistema imunológico é conhecida, mas pouco se sabe sobre os mecanismos envolvidos. Uma pesquisa apoiada pela FAPESP e conduzida nos últimos anos tem mostrado como diferentes tipos de privação de sono interferem nas defesas do organismo.
Na primeira fase da pesquisa, para mimetizar situações comuns na sociedade os pesquisadores submeteram voluntários tanto à privação total por 48 horas – similar à que ocorre com pessoas que trabalham em sistema de plantão noturno – como à privação seletiva de sono REM (movimento rápido de olhos, na sigla em inglês), fase do sono em que prevalecem os sonhos, por quatro noites seguidas.
“Nas últimas décadas, houve diminuição progressiva e importante na média da duração do sono, principalmente na segunda metade da noite, quando prevalece o sono REM”, disse Francieli Ruiz da Silva, autora principal do estudo, feito durante o doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com Bolsa da FAPESP.
O estudo, orientado pelo professor Sergio Tufik, foi realizado no Instituto do Sono, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) apoiado pela FAPESP. Os resultados do experimento foram publicados em artigo na revista Innate Immunity e apresentados na 23ª Reunião Anual da Associated Professional Sleep Societies, realizada nos Estados Unidos em 2009. O trabalho também foi premiado pela European Federation of Immunological Societies durante o 2º European Congress of Immunology, realizado na Alemanha no mesmo ano.
Em uma segunda fase da pesquisa, realizada com animais, os pesquisadores do Instituto do Sono investigaram os efeitos da privação de sono no desenvolvimento de resposta específica a um desafio imunológico. Os resultados dos experimentos com camundongos foram apresentados na 27ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia experimental (FeSBE), realizada em agosto de 2012.
“O objetivo na primeira fase foi avaliar a alteração no perfil imunológico dos voluntários causada pela falta de sono. Para isso, realizamos leucograma – exame que mede a quantidade de leucócitos no sangue – antes e depois do experimento”, disse Ruiz.
“O objetivo na primeira fase foi avaliar a alteração no perfil imunológico dos voluntários causada pela falta de sono. Para isso, realizamos leucograma – exame que mede a quantidade de leucócitos no sangue – antes e depois do experimento”, disse Ruiz.
Ao longo de uma semana, 30 voluntários saudáveis, entre 18 e 30 anos, permaneceram no laboratório distribuídos em três grupos. Aqueles do grupo controle dormiram normalmente e tiveram seu padrão de sono monitorado por meio do exame de polissonografia.
Os integrantes do grupo submetido à privação seletiva também tiveram o sono monitorado e foram acordados por uma campainha toda vez que o exame indicava a aproximação da fase REM.
“A primeira noite foi tranquila, mas à medida que a demanda do organismo por sono REM foi se acumulando, foi ficando difícil. Esse estágio aparecia cada vez mais cedo, efeito conhecido como rebote de sono REM. Na quarta noite, eles mal cochilavam e já entravam na fase REM”, contou Ruiz.
Já o grupo da privação total manteve-se alerta por 48 horas com a ajuda de videogames, jogos de cartas, internet e eventuais chacoalhadas. Nas três noites seguintes, dormiram normalmente e foram monitorados pela polissonografia para registrar o efeito rebote de sono.
Enquanto o grupo controle não apresentou alteração no perfil imunológico, como esperado, os voluntários do grupo submetido à privação total tiveram uma elevação no número de leucócitos, especificamente de neutrófilos, o primeiro tipo celular que responde à maioria das infecções. Também houve aumento de linfócitos T CD4, responsáveis pela imunidade adaptativa, específica para cada doença.
“Considerando que os leucócitos desempenham a função de defesa ao primeiro sinal de invasão por patógenos, observamos que a privação total de sono desencadeou um sinal de alerta no organismo. Ele entendeu como uma agressão e respondeu a um fantasma”, disse Ruiz.
Essa alteração foi revertida após as primeiras 24 horas de recuperação do sono. “Mas, para nossa surpresa, o número de linfócitos não voltou ao normal após as três noites de recuperação”, contou.
No grupo privado de sono REM, foi observada uma diminuição da imunoglobulina A (IgA) circulante no sangue durante todo o período do experimento. Esse efeito permaneceu após as três noites de recuperação do sono.
“Essa imunoglobulina, presente na secreção de mucosas, está diretamente relacionada à proteção contra a invasão por patógenos. Isso poderia explicar por que a privação de sono REM poderia estar relacionada a uma maior suscetibilidade a doenças como gripes e resfriados já descrita na literatura”, disse.
Desafio imunológico
Na segunda fase da pesquisa, os pesquisadores investigaram, em ratos, os efeitos da privação de sono no desenvolvimento de resposta específica a um desafio imunológico. “Precisávamos de um estímulo que desencadeasse uma resposta vigorosa e optamos por um modelo de transplante de pele entre duas linhagens diferentes e geneticamente incompatíveis de camundongos”, disse Ruiz.
Nesse modelo, de acordo com Ruiz, a rejeição do tecido enxertado pelo organismo do receptor é certa. Mas, enquanto os animais do grupo controle levaram entre 8 e 10 dias para expelir o tecido estranho, aqueles submetidos à privação de sono, seja ela total ou apenas da fase REM, levaram entre 15 e 18 dias.
“Isso representa um aumento de 80% no tempo de sobrevida do tecido, o que equivale ao efeito de drogas imunossupressoras como a ciclosporina”, disse Ruiz.
Para entender o que estava causando o prejuízo na resposta imunológica, os pesquisadores analisaram os órgãos linfoides dos animais e verificaram uma redução de 76,4% no número de linfócito T CD4 no grupo submetido à privação de sono REM. No grupo que sofreu privação total, a queda foi de 34% em relação ao grupo controle.
“Os linfócitos T são essenciais para que o processo de rejeição aconteça. Eles são ativados pelas células apresentadoras de antígenos (APCs) e, então, migram dos órgãos linfoides para a região afetada, onde desencadeiam o processo inflamatório que culmina com a rejeição”, explicou Ruiz.
As análises mostraram que nos dois grupos houve redução de aproximadamente 40% no número de linfócitos T no infiltrado inflamatório do enxerto de pele, ou seja, havia menos células de defesa na região.
Isso pode ser explicado por uma menor expressão da molécula MHC 2, essencial para a comunicação entre as APCs e os linfócitos. Além disso, houve redução de 40% na quantidade de receptores para a interleucina 2 (IL-2) na circulação sanguínea.
“Quando o linfócito migra para a área afetada, precisa se proliferar para atacar o tecido. Para isso libera a IL-2, principal mediador para essa proliferação. Portanto, uma menor quantidade desses receptores no sangue indica menor proliferação de linfócitos e prejuízo ao processo de rejeição”, disse Ruiz.
Para ter certeza de que o possível estresse causado pela privação de sono não estava por trás da imunossupressão, os pesquisadores avaliaram os níveis de corticosterona no sangue dos animais.
“Esse hormônio, nos camundongos, é o equivalente ao cortisol em humanos. Como os níveis não estavam mais elevados nos roedores privados de sono do que no grupo controle, acreditamos que o estresse não tenha interferido nos resultados”, afirmou.
O próximo passo da pesquisa é investigar por que a privação de sono diminui a expressão de MHC 2 e a proliferação dos linfócitos. Além disso, Ruiz pretende investigar, durante o pós-doutorado, também com Bolsa da FAPESP, o efeito da privação de sono na imunidade de pessoas que trabalham em turno e trocam o dia pela noite.
“A literatura indica que o sono durante o dia não é tão reparador como o noturno. Nossa intenção é vacinar esses voluntários e ver como a inversão dos períodos de descanso interfere na imunização”, disse.
Extraído do site: http://agencia.fapesp.br/16303
Descoberta do mecanismo de defesa de bactérias
Mecanismo de defesa antioxidante de bactérias é desvendado
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Quando bactérias patogênicas invadem o corpo humano ou de outros mamíferos, as células hospedeiras liberam substâncias tóxicas para tentar se livrar da presença indesejada. Uma nova pesquisa, feita na Universidade de São Paulo (USP), desvendou um dos mecanismos pelos quais certos tipos de bactérias se defendem desse ataque.
Os resultados, publicados este mês na PLoS One, abrem caminho para a descoberta de moléculas capazes de inibir o sistema de defesa bacteriano e dificultar o avanço da infecção.
A pesquisa, apoiada pela FAPESP, foi feita com a Chromobacterium violaceum, microrganismo que afeta principalmente o fígado e a pele de indivíduos com o sistema imunológico comprometido.
“A C. violaceum é uma bactéria oportunista. Pretendemos explorá-la como modelo para estudar patogenicidade porque ela já teve seu genoma sequenciado e é relativamente fácil manipulá-la geneticamente”, explicou Luis Eduardo Soares Netto, supervisor do estudo de pós-doutoradode José Freire da Silva Neto, que deu origem ao artigo.
Os cientistas investigaram o mecanismo de produção de uma enzima usada pela bactéria para decompor o peróxido orgânico, substância oxidante liberada pelas células hospedeiras após a invasão.
“O peróxido orgânico causa estresse oxidativo na bactéria, o que dificulta sua reprodução e pode levá-la à morte. Para se defender, o patógeno produz uma enzima antioxidante chamada Ohr. A produção dessa enzima, por sua vez, é regulada por outra proteína – que atua como fator de transcrição – chamada OhrR”, contou Netto.
Quando a bactéria está em condição basal, a proteína OhrR fica ligada ao gene responsável pela produção da enzima Ohr. “Dessa forma, impede que o DNA seja transcrito em RNA e que a enzima seja produzida”, disse.
Mas, ao entrar em contato com o peróxido orgânico, a OhrR se oxida e se desliga do DNA, permitindo a produção da enzima antioxidante. “Depois que a Ohr cumpre seu papel de decompor o peróxido orgânico, outra enzima chamada tiorredoxina entra em ação para fazer com que o fator de transcrição OhrR se ligue novamente ao gene e iniba a produção de Ohr”, explicou Netto.
Esse mecanismo de defesa também está presente em outros gêneros de bactérias, comoStreptococcus e Pseudomonas – ambos causadores de doenças respiratórias, infecções cutâneas e sepse em humanos.
Também está presente em fitopatógenos como a Xylella fastidiosa, que causa nas laranjeiras a doença clorose variegada de citros, popularmente conhecida como praga do amarelinho.
Driblando a defesa
“Agora que sabemos como a bactéria se defende, podemos pensar em meios para driblar esse mecanismo. Uma possibilidade seria inibir a produção da enzima Ohr. Outra seria ativar a produção de OhrR, para anular o sistema antioxidante”, disse Netto.
O primeiro passo, segundo o pesquisador, seria demonstrar experimentalmente em camundongos que essas manobras genéticas realmente tornariam mais fácil para o organismo hospedeiro combater a bactéria.
Os testes ainda estão sendo padronizados, mas a ideia é silenciar os genes da Ohr e da OhrR na C. violaceum e avaliar se isso altera sua capacidade de infectar os animais.
“Como não existem homólogos da Ohr e da OhrR em mamíferos ou plantas, se conseguirmos desenhar uma molécula que atue sobre essas proteínas, ela teoricamente teria ação específica sobre a bactéria, sem efeito colateral para o hospedeiro”, afirmou Netto.
Embora ainda em fase preliminar, os estudos abrem caminho para o desenvolvimento de novos medicamentos. “Hoje já se sabe que muitos antibióticos têm como mecanismo de ação a geração de estresse oxidativo nas bactérias. Essa questão está ganhando força”, disse.
O estudo de pós-doutorado está vinculado ao Projeto Temático “Aspectos biológicos de tióis: estrutura proteica, defesa antioxidante, sinalização e estados redox” , coordenado por Netto. Também está ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Processos Redox em Biomedicina (Redoxoma).
Extraído do site: http://agencia.fapesp.br/16395
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